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Por que a gente adora pedir indicação de um perfume?

Dizem que se conselho fosse bom não se dava, se vendia. Ainda assim, por que então a gente adora pedir indicação de um perfume?

Uma pesquisa interna da Amyi indica que mais de 90% das pessoas já receberam conselhos ruins sobre um novo perfume e sentiram, literalmente, na pele esse resultado. Escutar sugestões de outras pessoas sobre diferentes tipos de perfume não é um problema, mas é preciso filtrar certas opiniões que podem levá-lo a uma escolha que não combina com você. 

Confira os piores conselhos e saiba porque eles não funcionam na hora de escolher um novo perfume: 

“Se você quer um perfume bom, tem que comprar um perfume importado.”

Foi-se o tempo que um perfume bom era criado apenas em terras estrangeiras. Ainda bem! A alta qualidade de um perfume está, na verdade, relacionada a outros tipos de variáveis. Por exemplo: 1) investimento em ingredientes e matérias-primas nobres da perfumaria mundial; 2) perfumes com rotas olfativas diferenciada e 4) percentual de concentração do óleo essencial. 

“Para não errar, compre um perfume parecido com o que você já usa.” 

Ou seja, permaneça na mesmice. Para não errar, a gente precisa de mais conhecimento, mais experimentação e o mais importante de tudo, ter clareza sobre como nos sentimos com um novo cheiro que está em nosso corpo. Novas marcas de perfumaria, nacionais e internacionais, trazem os chamados “Discovery Sets” ou Kits de Experimentação como uma forma muito mais prazerosa. Conheça diferentes tipos de perfume antes de você sair comprando logo um frasco enorme. Use e abuse dessas vivências. 

“A mulher até pode usar perfume masculino, mas o homem usar perfume feminino não combina.” 

A perfumaria moderna vem deixando os rótulos de feminino e masculino para trás. Aos poucos estamos evoluindo para uma perfumaria genderless, sem julgamento de gênero. Em outras palavras, o importante agora é a criação de caminhos olfativos que agrade pessoas e não gêneros. E vamos combinar? Faz total sentido isso.

“Se você gostou do perfume X, vai gostar do perfume Y.” 

Se você gosta de laranja, vai gostar de tangerina? Muito provavelmente sim. Agora, após ouvir um conselho como esse, qual a chance de você pedir para experimentar um abacate? Pequena, não é mesmo? Pois é assim que entramos, sem perceber, em hábitos que podem acabar com a oportunidade de você ter uma feliz surpresa com um perfume que nunca imaginou usar. E a pergunta que não quer calar: por que não ir além do perfume que você já sabe que gosta de usar? Medo de errar, praticidade, hábito, piloto automático…  

Para ousar por um caminho que te satisfaça leve em consideração seu estilo de vida e a sua atitude. Olhe com atenção para momentos especiais que pedem um novo cheiro e uma nova expressão de você. Essa pode ser uma tarefa difícil no começo, mas temos certeza que ao se observar cada vez mais, tudo isso se tornará um hábito delicioso. Agora, se você ainda sente uma certa insegurança para esse passo mais ousado, a gente te ajuda nessa descoberta. 

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O futuro das fragrâncias é mesmo sem gênero?

Uma nova classe de perfumes, além dos gêneros, feitos para atender tanto a homens quanto a mulheres, tem tido muito sucesso. Entre nesta nova fase da perfumaria compartilhável, também conhecida por “genderless”.

A ideia não é nova. Em 1929, Jean Patou lançou o perfume Le Sien (cujo significado é “dele”, mas com uma propaganda que dizia “Perfume masculino para a mulher”), o primeiro perfume claramente compartilhável, um perfume Verde Aromático, criado por Henri Almeras.

Em 1994, Calvin Klein voltou a este conceito, com o nome “unissex”, em CK One, com enorme êxito comercial. O conceito compartilhável e sem gênero, então, reivindicava a simplicidade, o compartilhar, a juventude. Os perfumes eram frescos e leves. Surgia a questão: seria apenas um critério comercial ou a expressão de uma tendência?

Na época, outros perfumistas e marcas de renome viram nesse conceito uma oportunidade: Gieffeffe (1996) de Gianfranco Ferré, Paco (1996), de Paco Rabanne, Dalimix (1996), de Salvador Dali, Água (2000), de Loewe.  Em 2006, o perfumista independente Geza Schoen fundou a  Escentric Molecules, com o objetivo de permitir o uso compartilhado e combinado de fragrâncias, evitando a segmentação por gêneros e contribuindo para que fragrâncias tivessem um aspecto único para cada usuário. Assim, chegamos aos anos 2020, com o conceito de perfumes para homens ou para mulheres parecendo estar um pouco fora do caminho, em relação aos movimentos sociais. 

As mensagens subliminares nas lojas continuam fortemente alinhadas com o Marketing e reinam como sempre: linhas arredondadas e femininas, com notas florais e cores como rosa, salmao, para mulheres, enquanto as fragrâncias masculinas seguem em frascos mais severos, duros, encorpados, em cores classicas e mais escuras como azul, cinza, preto, evocando a masculinidade e a virilidade desejadas por mulheres românticas. 

Isto parece eficiente para a indústria da perfumaria, que tem usado essa estratégia há dezenas de anos. Contudo, agora, em pleno 2021, a indústria da perfumaria de nicho está liderando o movimento para derrubar esses estereótipos. De acordo com a Mintel, os lançamentos de fragrâncias sem gênero representaram 17% do Mercado em 2010 e esse número havia subido para 51% em 2018, algumas com conceitos não conformistas, como Memoire d’Une Odeur, de Gucci, que explora memórias do passado e viagem ao futuro, sem uma definição de gêneros.

De olho no futuro, em novembro/2019, “A Amyi Perfumes chegou com a ideia de trabalhar suas fragrâncias num ambiente sem gênero”, conforme afirmam suas co-fundadoras. E isto se mostrou assertivo, uma vez que recentes pesquisas feitas pela marca mostram que uma das fragrâncias mais apreciadas pelos homens é a Amyi V, um perfume muito floral, de rosa, jasmim e freesia. E nossa ídeia é: “Se você gosta desse perfume, o que importa o gênero? Por isso, nossa filosofia não é caracterizar nossos perfumes por gênero”. 

O movimento genderless em fragrâncias segue, não porém sem esbarrar em algumas fortes influências sociais e culturais, que têm a ver com a forma em que homens e mulheres ainda são criados. Aos poucos, essa visão tradicional está sendo rompida. 

Boa parte dos perfumes ainda têm gênero, seja por estar claramente declarado no rótulo ou pela publicidade nele, porque isso ainda funciona. Por outro lado, marcas de nicho, como a Amyi, estão despojadas de declarações ou dicas visuais, o que faz com que homens não se censurem ao usar fragrâncias e ingredientes tradicionalmente femininos, como as flores. O crescimento da perfumaria de nicho tem contribuído para quebrar os códigos olfativos de gênero.

Ao passo que, no passado, fragrâncias sem uma verdadeira abordagem de gêneros surgiam e desapareciam do cenário mundial, o movimento agora vem da sociedade, em que gênero e identidade estão claramente em foco. Neste sentido, fragrâncias sem gênero ganham força e este parece ser o principal motivo do futuro dos perfumes genderless.